terça-feira, julho 25, 2006

Tempo de Azaleas


Daniela Ioppi

Faz frio, o céu está cinzento,
As árvores estão nuas
E a chuva fina insiste em não passar.

Mas há no ar um perfume Inebriante
Que exala dos arbustos e anuncia:
Alegria: é tempo de azaleas.

Mensageiras de Luz da Natureza
Brancas, salpicadas de cor rosa,
Vêm pra despertar uma esperança.

Pois eis que nossa vida tem invernos,
Quando tudo parece mais sombrio
E até nossa floresta fica seca.

Mas justamente nessa estação mais fria
É que despertam exuberantes e teimosas
Nossas próprias perfumadas azaleas.

(Azálea, segundo o dicionário,
mas prefiro escrevê-las e dizê-las
como sempre as ouvi pronunciadas.)

domingo, julho 23, 2006

Winds (Ventos)


Daniela Ioppi

The wind blows strongly
And comes against me,
But I must carry on
Or should I be carried on
By the wind?

You say I must keep the control,
But do I know where to go?
The wind may give me
The right direction.
If I’m lost, why not taking a ride?

But, stop, you say, just stop
And listen to the gentle sight
That comes from the wind inside
Your heart.
It will surely guide you
In the right path.

Ventos

O vento sopra forte
Contra mim.
Mas devo seguir em frente
Ou será que devo me deixar levar
Pelo vento?

“Não”, você diz.
“Você deve estar no controle
e decidir a direção”.

Mas talvez o vento conheça
O melhor caminho.
E se não sei para onde ir,
Porque não pegar uma carona?

“Pare”, diz você.
“E escute o vento que sopra
de dentro do coração.
Ele há de lhe mostrar
O caminho certo a seguir.”

sábado, julho 22, 2006

Formigas e Cigarras


Daniela Ioppi

Levar um fardo,
Andar em fila,
Juntar comida...

Essa é a vida
Da formiga.

Será que é assim
Que tem que ser?
Será, talvez,
a forma certa
de viver?

E se eu nascer
Cigarra?
E se eu quiser
Voar e dançar...
Cantar e sonhar?
Pintar minha
Alma numa tela
colorida?

E se eu quiser
entrar na farra
me perder e
me encontrar,
logo ali,
em quatro sílabas?

Ai, minha amiga
Não tenho força
De formiga,
Mas tenho garra
de Cigarra!

Levo, também,
um fardo,
e preparo
tua comida...
Só não faço fila,
porque sou sozinha...

E o final?
Será igual
para ela e para ti.
Será também
o mesmo fim
em mim.

Mas vou morrer
feliz!
Porque fui o
que tinha que ser!
E fiz o que tinha
que fazer!

Então, deixa
Eu viver meu sonho
E sonhar a minha vida
Deixa eu alegrar
Essa Vida de Formiga!

terça-feira, julho 18, 2006

Mundos DiVersos


Daniela Ioppi

Vivo em dois mundos diversos:
Um paralelo e concreto
Arrimado e conexo
Outro em total desalinho
Regido pela emoção

Vivo em dois mundos diversos:
Entre portais de evasão
Passeio sem pressa ou destino
Prendo-me a liberdade
Encanta-me a realidade
Desvenda-me a ilusão.

The Glory of Being a Father

Daniela Ioppi

The glory of being a father
Is not to teach, but to be taught.
And you learn you can be stronger
And more delicate than you’ve ever thought.

The Glory of being a Father
Is not being loved, but to love.
And you are able to make much more
sacrifices than you’ve ever thought.

The glory of being a father
Is not the satisfaction of living a dream.
But wishing your child to go higher
And see farther than you’ve ever seen.

A Glória de Ser um Pai

A glória de ser um pai
Não é ensinar, mas ser ensinado.
E você aprende que pode ser mais forte
E mais sensível do que jamais pensou.

A glória de ser um pai
Não é ser amado, mas amar
E você descobre que é capaz de fazer
muito mais sacrifícios do que imaginou.

A glória de ser um pai
Não é a satisfação de ter realizado um sonho
Mas desejar que seu filho vá mais alto
E veja mais longe do que você jamais sonhou.

domingo, julho 16, 2006

Suaves Ondas


Daniela Ioppi

Oh, Mar, de suaves ondas,
Inundais-me a alma
E de mim
Fugis!

Quem diz
Que vos não
Adoro? Se de vós,
Imploro! Quero compartir?

Oh, Mar, de vós não me escondo...
Sabeis meus segredos,
Revelai meus
Medos,
Fazei-me
Sorrir...

... Dormir...
Em tuas doces vagas,
Navegar na calma, afundar
As mágoas e, no abraço
D’água, sentir-me
Feliz...

sexta-feira, julho 14, 2006

Enquanto você dorme


Daniela Ioppi

Enquanto você dorme eu amanheço
E vejo o sol brilhar na madrugada.
Enquanto você sonha eu estremeço
E tenho pesadelos acordada.

Enquanto o dia chega, eu do avesso,
Me visto com a manta prateada
Na pressa de estrear o recomeço
Daquela mesma sina malfadada.

E ao lhe despertar com este terço
De tantas preces minhas entoadas
Escuto numa voz que já conheço
Que muitas são as horas já passadas.

Você sacode a colcha esfarrapada,
Cansado de me ouvir tão lastimada,
Faz-me lembrar de como sempre esqueço:

Que a vida é mesmo assim, descontrolada.
Por doer lhe ver partir, sendo acordada,
Enquanto você sai, eu adormeço.

I Look into Myself


Daniela Ioppi

I look into myself,
Into my deep self,
And I see nothing…
And everything.

Then I look at you
And at everybody else…
And I see me.

What is it
Connecting us all,
Made of
Invisible strings?

Is it love?
Is it the soul
That lives
in you and me?

Look into yourself,
Into your deep self
And you will see…

quinta-feira, julho 13, 2006

Descoberta


Daniela Ioppi

Oh, Mar, de suaves ondas,
Vou içar minhas velas,
Descobrir as terras
Que de mim escondes!

Oh, Mar, de suaves vagas,
Já sei teus segredos
E não tenho medo
Das ilhas distantes.

Oh, Mar, de fluidos montes,
Já icei minhas velas
Vou pintar minhas telas
De cores rosadas,
Do tom da alvorada
De um novo horizonte.

terça-feira, julho 11, 2006

Solidão

Solidão
(Daniela Ioppi)

Hoje, despertei com a Solidão
por companhia.

Ela chegou sem cerimônia,
pois já conhece o caminho
e tem até a chave da porta.

O seu discurso eu já conheço:
Vem primeiro o silêncio,
Depois, o choro
e, por fim o grito.

Então, ela sorri e agradece
o desabafo.
Sai, deixando a porta aberta...

Volto a dormir,
mas sem sossego.
Bem sei que ela volta,
tarde ou cedo.

segunda-feira, julho 10, 2006

A Flor e o Mar



No alto de um Rochedo
firme e forte,
nasceu um dia a Flor,
solitária.

Ao pé do Rochedo,
sonhador,
havia o Mar,
pleno de vida.

O Mar olhou a Flor,
apaixonado,
deixando a planta assim...
envaidecida.

Toda noite, sua onda solidária,
lançava o Mar
sobre o Rochedo,
enlouquecido...

...de amor. E tanto a água
bateu na pedra dura,
que a fendeu,
e a Flor tremeu
e sentiu medo.

Então o Mar recuou,
com muito tato.
machucar a sua Flor
ele não quiz.

E a Flor, acostumada,
ao amor d’Ele,
de fato chorou
só, na amargura.

E decidiu, num roupante
de loucura,
arrancar sua raiz
tão machucada,

lançando ao Mar,
sua alma colorida,
sorriu triste,
e nas ondas se afogou,
enternecida.

Daniela Ioppi

sábado, julho 08, 2006

Meu Jardim


Meu Jardim

Uma chuva fria cai no meu jardim...
E faz transbordar a melancolia
E murchar as flores
Que trago em mim.
Entre todas, a Esperança
É a última a morrer...
Mas, ao recordar tristes lembranças,
Ela se entrega e sai da luta, enfim.

Ela buscou o Sol
Por toda a vida,
Mas entranhou suas raízes
Em solo muito raso e não vingou.
E agora, ao perceber as cicatrizes
Tão profundas e doloridas,
Pelo tanto que lutou,
Essa flor prefere fenecer...

Mas a vida continua...
E eis que essa chuva fria,
Que cai dentro de mim,
Há de lavar minhas feridas!
E também há de regar-me a terra
Fazendo brotar nova Quimera
Cheia de Luz e Amor.
E essa flor há de ser tão colorida,
Tão robusta e tão intensa,
Que o próprio Sol,
Querendo sentir essa alegria imensa,
Não vai resistir no fim:
Ele há de se curvar
E vai brilhar no meu Jardim!


Tempo de Sêca
Daniela Ioppi
Em tempo de sêca
A terra se encolhe,
Se recolhe
E se ressente...

E grita nas entranhas:
Dá-me a vida!
Ou quero a morte!

E quem há de dizer
À propria sorte,
Que ela não encerra
Um livramento?

Ao carecer da Chuva,
Que é externa,
A terra busca em si
A própira seiva.
E bebe voraz,
A lava interna.
E, do seu vulcão,
A força imensa
Lhe alivia e lhe sobeja.

No rio que invade
A terra, a Luz
Navega...
e revela que é fecunda
e que é forte.

E não há o que temer,
Se a chuva não lhe inunda.
A dor só se demora
Em um momento,
E o sofrimento
Vai embora,
Com a água que vem,
Não mais de fora,
Mas de dentro!