The Birth Mark
by Danioppi
Ele tinha uma marca de nascença profunda na altura do umbigo. A raiz dela ia até o coração. Era discreta como uma ervilha, às vezes ficava do tamanho de uma batata. Ela também exalava odores diferentes: da fragância do simpático alecrim ao cheiro azedo do vinagre, do aroma inebriante de almiscar ao fedor de esgoto lamacento. Costumava chamá-la carinhosamente de Georgianas, porque era feminina e porque era plural, e amava a todas. Mas às vezes lhe diziam que era feia, que devia cortá-la fora...
- Corta!
E as cores! Dependendo da lua, a mancha adquiria o tom de um azul turquesa ou púrpura e encantava quem quer que a visse. Em outros momentos, também dependendo da lua, ficava roxa ou de um marrom sangrento e esquentava tanto que queimava quem a tocasse. Na maioria das vezes, era de um lilás suave ou pêssego e aí, não chamava a atenção, nem incomodava ninguém. O problema é que não se sabia que tipo de lua causava esta ou aquela mudança. Às vezes dependia do tempo. Essa falta de controle lhe agoniava. Nunca podia escolher qual delas queria mostrar aos outros. Todos o aconselhavam a extirpá-la, diziam-lhe que não faria falta...
-Corta!
Queria bem todas as Georgianas, embora uma atraísse e a outra afaste as pessoas de si. Considerava a hipótese da cirurgia, mas não podia escolher com qual delas conviver, porque não eram separadas, mas diferentes facetas de uma mesma árvore, com uma única raiz. Como extirpar Hide sem matar Jekill, como ter o médico, sem ter o monstro? A bem da verdade, se não fosse pelos outros, poderia conviver feliz com qualquer uma delas. Os outros é que incomodavam...
(continua...)
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1 Comments:
Esperei tanto pelos seus posts e agora tenho idéia do por quê!
a forma que você usa o talento que tem, essas iamgens que cria, é uma coisa de muito bom gosto!
quero ver a continuação!
beijos
D.M.
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